O Método
Como o H1VE funciona de verdade.
A mecânica do método — o ciclo por onde toda feature passa, os artefatos que carregam o trabalho, os gates onde o julgamento entra, e o que medir.
Veja também: Os PapéisComece agora
01
O ciclo
O trabalho flui por uma sequência definida. Nada pula etapa, e o sistema mostra onde tudo está em tempo real. O ciclo tem duas partes: uma fundação única e, depois, um loop de feature que se repete.
A fundação — uma vez, no início
Antes da primeira linha de código, o projeto precisa existir no papel. O founder e o arquiteto, assistidos pela IA, produzem quatro documentos: visão e escopo, especificação funcional, especificação técnica e o roadmap. Eles são o bolo; toda spec seguinte é uma fatia.
Por que isso importa
Pular a fundação é a falha mais comum. O time coda rápido, mas sem um norte comum — a IA inventa decisões, dois devs se contradizem. A fundação custa dias e economiza semanas.
O loop de feature — repete por fatia
Cada feature passa por nove estágios, e pode ser estacionada como bloqueada a partir de qualquer um deles.
- Backlog
- Spec
- Dev + IA
- PR
- CI
- QA + Data
- Arquiteto
- Main
Uma feature pode nascer no backlog sem dono, mas não entra em desenvolvimento sem um. Atribuir um dono é pré-condição para o trabalho — controle por design.
02
Os artefatos
O H1VE roda sobre um pequeno conjunto de documentos vivos. Cada um tem uma função, um momento e um dono.
Os documentos de fundação
- Visão & Escopo
- Por que o produto existe, para quem e seus limites. Liderado pelo founder.
- Especificação Funcional
- O que o produto faz, na visão do usuário. Founder + arquiteto.
- Especificação Técnica
- Como é construído: stack, modelo de dados, APIs, decisões. Liderado pelo arquiteto.
- Roadmap
- O escopo fatiado em fases. Cada item vira uma spec. Um documento vivo.
Os documentos por feature
- SPEC-NNN
- Criada e aprovada antes de qualquer código. Define escopo, arquivos tocados, critérios de aceite, riscos.
- DONE-NNN
- Criado ao final, antes do PR. O que mudou, como testar, a AI declaration.
O documento de memória
- CLAUDE.md
- A memória viva do projeto: stack, regras inegociáveis, arquivos críticos, estado atual. Lido antes de cada sessão, atualizado depois.
A AI declaration
Todo PR registra quais arquivos a IA gerou e quanto cada um foi revisado. Não é burocracia — diz ao revisor onde focar e torna o sistema inteiro auditável.
03
Os gates
Os gates são onde o julgamento humano entra e onde a qualidade é imposta, não apenas esperada. São três, em sequência.
Gate 1
CI — automatizado
A máquina confere a máquina: checagem de tipos, lint, a suíte de testes. Objetivo e rápido. Uma falha devolve a feature para o dev. Necessário, mas não suficiente — pega o que está mecanicamente errado, não o que está errado no julgamento.
Gate 2
QA e Data — o gate duplo
A assinatura do H1VE. Dois humanos independentes, validando dois tipos de risco, nenhum deles quem escreveu o código. QA pergunta: faz o que a spec diz? Data pergunta: o schema é sólido? A feature só avança quando ambos assinam — então move para o arquiteto automaticamente.
Por que dois gates, não um
A IA falha de um jeito na lógica e de outro nos dados. O código pode estar funcionalmente correto e ainda assim corromper o schema em silêncio. Um revisor perde um dos dois; dois gates independentes pegam os dois.
Gate 3
O arquiteto — o merge
O gate humano final. O arquiteto revisa o quadro completo — CI verde, os dois sign-offs, o DONE escrito — e faz o merge na main. Essa autoridade é exclusiva. A IA nunca faz merge.
04
As métricas
O H1VE mede a saúde do sistema, não a ocupação das pessoas.
- Taxa de aprovação do CI
- Fração das execuções de CI que passam. Abaixo de ~80% sinaliza problema sistêmico — pare de adicionar features até saber por quê.
- Tempo de ciclo
- Quanto uma feature leva da spec à main. Subindo, há um gargalo — muitas vezes a fila do arquiteto.
- Saúde dos gates
- Com que frequência features são rejeitadas no QA ou no Data, e por quê. Um padrão aponta specs fracas ou erros da IA passando.
- Idade dos blockers
- Há quanto tempo os blockers ficam abertos. Mais que alguns dias pede intervenção direta.
- Fila do arquiteto
- Features esperando o gate final. Uma fila crescente significa que o gargalo é o merge.
Meça o sistema
Elas descrevem o fluxo, não as pessoas. Velocidade que esconde um gate quebrado é pior que lentidão que mantém a qualidade.
05
Quando usar
O H1VE serve a times que usam agentes de IA como forma primária de escrever software e que se importam com qualidade, rastreabilidade e responsabilidade. Honestidade sobre o encaixe faz parte do método.
Use o H1VE quando
- Vários desenvolvedores trabalham em paralelo, cada um com um agente de IA
- Um bug silencioso em produção é caro
- Alguém precisa responder “quem decidiu isso, e por quê?”
- O time está escalando e a coordenação improvisada está quebrando
É exagero quando
- Um protótipo descartável de uma pessoa que ninguém vai manter
- Um script pontual sem necessidade de review
- Um time que não usa agentes de IA
O valor vem de governar código gerado a alguma escala de risco. Sem risco, sem necessidade dos gates.
06
Glossário
O vocabulário comum do H1VE. Uma língua comum é o que transforma uma prática em profissão.
- Gate
- Um checkpoint onde o trabalho precisa ser validado antes de avançar. O H1VE tem três: CI, o gate duplo QA+Data, e o merge do arquiteto.
- Gate duplo
- O mecanismo que define o método: QA e Data validando de forma independente, ambos obrigatórios para avançar.
- Spec (SPEC-NNN)
- A definição aprovada de uma unidade de trabalho, escrita e aprovada antes de qualquer código.
- Done (DONE-NNN)
- O registro de fechamento de uma feature: o que mudou, como testar, o que a IA gerou.
- AI declaration
- O registro, por PR, de quais arquivos foram gerados pela IA e quanto cada um foi revisado.
- Appetite
- O tempo que um time aceita gastar numa feature. O escopo se ajusta ao appetite, não o contrário.
- Swim lane
- O quadro visual de nove estágios mostrando onde cada feature está em tempo real.
- Stage
- Uma posição no ciclo: backlog, spec, dev, PR, CI, QA+Data, arquiteto, main ou bloqueado.
- Fundação
- Os quatro documentos que definem um projeto antes da primeira spec.
- CLAUDE.md
- A memória viva de um projeto, lida antes de cada sessão e atualizada depois.
- Implementação de referência
- Uma ferramenta que implementa o método H1VE. O método é neutro em relação à ferramenta; uma implementação o torna operável.
Pronto para rodar com seu time?
O método só é real quando um time entrega sob ele — leve seu time do zero à primeira fatia.